quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Razões

Já era tarde da noite, eu não conseguia dormir por causa de meus temores que a cada minuto se intensificavam mais e, é claro, também não era fácil conter as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
Da janela do meu quarto, olhava para a rua. Não havia movimento algum, apenas um gato fazia seu passeio noturno. “Deve estar em busca de outra gata” eu pensei.
Já se passava das duas horas da madrugada quando meu celular vibrou ao lado da cabeceira da cama. Era uma mensagem, a qual eu não esperava receber. Longe dali alguém estava com o mesmo problema que eu. De certa forma isso era consolador...
Como eu estava pensando, a mensagem era dela. Estava sentindo um certo receio de saber do conteúdo, afinal eu já havia dado um basta em nossa relação. Ou será que não? Enfim, não poderia ser besteira, afinal de contas quem iria querer brigar no meio da madrugada?

“Amor, eu sei que te magoei, vc ñ sabe o quanto sofro só de lembrar do estado em que vc se foi =( eu não quero que vc faça nenhuma besteira, por favor, eu te amo mto, cometi vários erros mais a única coisa q te peço é q vc me de uma nova chance, não quero te perder...
Com amor, Julia”


A raiva acordou dentro de mim. Que ódio dela!Depois de tudo que ela havia me dito, ainda lhe sobrava falsidade!
Ela, que havia me destruído por completo, pedia para dar-lhe outra chance? O que ela esperava de mim? Que mandasse flores? Que voltasse aos seus pés feito um cãozinho sem dono? Havia lhe dado tudo. Meu amor, minha vida, minha alma, minha palavra e meu respeito! Não entendo o porquê de ela me matar...
Não vou responder esta porcaria! Não sou tão masoquista assim... Prefiro a solidão à maldita companhia viciosa e doentia dela.
Abri a gaveta e dela tirei meu mp3 e um masso de Marlboro. Faziam vários meses que eu não fumava, mais um sacrifício feito para ela...
Ouvindo Placebo, eu tentava não me submeter à depressão, aquilo tudo era muita coisa para a minha cabeça. Tentava lembrar como eu vivia sem ela, logo cheguei a conclusão que antes dela eu só via a vida passar. Como um filme em preto e branco.
Logo o dia raiou e eu deveria ir para a faculdade, a manhã estava linda, parecia tirar sarro de mim... Aquilo não fazia sentido. Não consegui ir para aquele lugar onde as pessoas não se importam com seus problemas; logo voltei para a cama.
Passaram-se semanas, e as únicas coisas que eu fazia era ficar em casa me deprimindo ao som de “Blind”. Não atendia mais os telefonemas, mamãe já queria que eu consultasse um psicólogo. Por que eu fui falar que iria me jogar da passarela? Não tinha razões para continuar a lutar, a chama da esperança havia finalmente se apagado em meu coração, o rio da felicidade tinha secado e então eu morreria de sede.

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