“Hoje eu finalmente recomeçarei minha vida” pensava enquanto trancava o portão da minha casa. O dia estava bonito; o céu estava azul sem nenhuma nuvem e os pássaros cantavam. Uma típica manhã de primavera que parecia estar tirando sarro de mim...
Não havia muitas pessoas no ponto de ônibus. Apenas uma garota de cabelos escuros e pele clara que eu não conhecia. Ficamos ali em silêncio esperando o ônibus. Mas ele não chegava nunca! Será que havia acontecido algo? As músicas do meu mp3 já tinham começado a se repetir quando senti um leve puxão:
- Com licença, mas você sabe que horas o ônibus chega?- Perguntou a garota. Não havia reparado como ela era baixa!
- Oi! Olha, eu acho que ele já deveria ter chegado. - Respondi, tentando parecer entusiasmado.
- Ai, acho que vou chegar atrasada no primeiro dia de aula!- Ela respondeu cabisbaixa.
- É... também acho que vou... – Na verdade eu não me importava com aquilo. – Qual é o seu nome?
- Sabrina! E o seu?
- Prazer Sabrina, meu nome é Miguel.
Logo em seguida, o ônibus chegou. Ao entrar me deparei com algo que se parecia com um formigueiro. A falta de ar com certeza iria ser um problema, por isso deixei a garota entrar primeiro para eu poder ter tempo de abrir minha mochila e tirar minha bombinha dali. Ao me ver com a bombinha na mão um homem logo me cedeu seu lugar, e como um bom cavalheiro me ofereci para levar a mala de Sabrina. Afinal de contas o nosso destino não era dos mais pertos, e eu também duvidava que ela conseguiria se sentar em algum lugar.
Não conversamos muito durante o trajeto, mas mesmo assim pude descobrir coisas interessantes sobre ela: Sua cor favorita era violeta, tal como a fita que estava presa em seu cabelo. Sua banda preferida era Aerosmith, mas sua canção preferida era One Last Breath da banda Creed. Mas o que me deixou mais surpreso foi descobrir que ela era minha caloura!
Quando chegamos à faculdade, havia várias barraquinhas espalhadas pelo campus com os nomes de diversos cursos. Percebi que Sabrina estava um pouco inquieta. Logo falei pra ela não se preocupar, veteranos não costumavam morder os calouros no primeiro dia de aula. E para confortá - la um pouco mais disse que caso ela quisesse eu poderia livrá-la do trote.
- NÃO! Eu quero participar do trote! Não quero ficar marcada como a “nanica que não participou do trote”!
- Hahaha, tudo bem então! Nos vemos no bar mais tarde!
Ela me deu um beijo na bochecha e foi em direção a barraca do nosso curso.
Enquanto eu me dirigia ao prédio onde eu teria a minha primeira aula em semanas, um pensamento me intrigava: Seria obra do destino o ônibus demorar tanto e acabar por me apresentar uma nova pessoa?
Mas não tive muito tempo para pensar no assunto, logo que cheguei a entrada do prédio eu a vi. A causa das minhas dores estava lá me esperando. Ergui a cabeça e fui em sua direção, não podia mais agüentar aquela angústia que me consumia por inteiro. O momento tinha finalmente chegado e a dor despertava novamente dentro de mim. A bombinha tremia na minha mão e meu coração parecia que iria sair pelo meu peito e voar direto para as mãos dela.
Arte Verde - I
Há 15 anos


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